A luz dourada do entardecer espelhava-se nas águas
cristalinas do regato
E os vultos das frondosas árvores projetavam suas sombras
contra o sol poente
Era o soberbo momento em que o astro rei recolhia sua
cabeleira dourada.
Deixei que meus passos me guiassem até a margem oposta do
regato
E sob uma grandiosa árvore de galhos frondosos me
sentei
sentindo a relva macia acariciar o meu corpo.
A brisa fresca soprou as mechas do meu cabelo.
Volvi meus olhos verdes para o céu e fui envolvida
pela
magia das nuvens alaranjadas
Que enviaram suas nuances matizadas
sobre a velha porteira
colorindo o chão de terra batida
O silêncio se abateu sobre o sertão
e só se ouvia ao longe o
pio de uma velha coruja.
A saudade tocou-me profundamente
e sem que eu pudesse
controlar as lágrimas rolaram
E se misturaram com as águas límpidas e transparentes
daquele esplendoroso regato
O som provocado pela dança daquelas águas
chegaram a mim
como os acordes de um violino
Pássaros coloridos sobrevoaram a velha árvore
e vieram
pousar na outra margem do regato
Suas ricas e coloridas plumagens atraíram o meu cândido
olhar
e em instantes alçaram voo
Meu pensamento acompanhou aquele voo rasante
deixando
incrustado em minh’alma
A doce lembrança daquele magnífico entardecer
no meu amado
sertão.