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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Perdido no tempo

Com os olhos parados nos ponteiros do tempo
perguntei-me pelas horas
Quanto tempo havia passado
E  eu ali sentada na solidão da sala
vivendo mais um sonho
que se infiltrou no pensamento
e viajou além do tempo

Num canto da sala silencioso e triste
o alaúde descansava adornado por belas flores
de suas cordas nem uma nota se ouvia
a doce melodia de outrora havia emudecido

A memória demente e vertiginosa
silencia desequilibrada
pensamentos desconexos
afloram e se apagam como uma réstia de luz

Sem nada questionar
numa rendição que se chama destino
vou mensurando a contagem das horas
tentando relembrar o momento exato
em que te perdi naquele emaranhado sem trégua
no total desconhecimento da razão
que me levou à cegueira
deixando que transbordasse do meu sorriso, a lágrima

Do amor nada sei
o tempo consumiu meu sentimento
gasto as horas do tempo
fazendo florir a poesia
vou desabrochando-me em sementes
irrigadas pelas palavras
na construção lírica
de um poema que não conhece
os dissabores do tempo
que levou pra terras longínquas
o amor que foi a razão do meu tormento