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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Afogueado amor


Matizava-se de cinza metálico o nosso recanto
nosso refúgio foi acometido pela grandeza
do brilho das estrelas e a claridade suave da lua
O riacho em sintonia entoava o seu acalanto
para a natureza que, aos poucos, se recolhia

Os sons se abafavam na tarde que se despedia
em revoada aos ninhos os pássaros se recolhiam
Somente os cisnes me faziam companhia

Esperava-te... e a paixão me consumia
A sós com minhas lembranças
via desmaiar com tristeza a minha esperança
no final daquele dia que serenamente entardecia

Queria estar contigo
perdida em minhas dúvidas, ensimesmava
senti que algo dentro de mim também morria
como o findar daquele belo dia

A brisa suave tocou meu rosto
e um sussurro doce me envolveu
meu corpo estremeceu

Um sorriso aflorou em meu lábios
minhas dúvidas se dissiparam
e num instante fizeram um cordel de fumaça

Seus longos braços me envolveram
sua boca ávida se apossou da minha
envolvemo-nos na volúpia da paixão
e nesse recanto encantado
o nosso afogueado amor floresceu