Nos finais de tarde quando o sol beija o mar
ela aparece translúcida envolta em lençóis claros de neve
como cauda de virgem lacrimosa
sobe as montanhas da galáxia e de lá
envia sua tênue luz numa quietação radiosa
afunda na água azulada do oceano
o teu alvo cabelo
melancoliza e enerva os seres
que choram seus amores perdidos
O facho de luz envolve a poetisa
que dedilha sua lira numa cantata
emocionada, alucinada e voraz
enviando aos céus as notas sofridas de sua dor
Em sustenidos e bemóis acentuados
eleva o tom tentando auferir a atenção da musa
que lhe inspirara a serenata
E a lua com seu sorriso cor de prata
viaja nas asas da brisa para além do horizonte
e a poetisa enamorada sussurra entre gemidos e desejos
uma ária apaixonada na vã tentativa de granjear o seu amor
(Gracita)