Páginas

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Uma ária ao luar

Nos finais de tarde quando o sol beija o mar
ela aparece translúcida envolta em lençóis claros de neve
como cauda de virgem lacrimosa
sobe as montanhas da galáxia e de lá
envia sua tênue luz numa quietação radiosa

afunda na água azulada do oceano
 o teu alvo cabelo
melancoliza e enerva os seres
  que choram seus amores perdidos

O facho de luz envolve a poetisa
que dedilha sua lira numa cantata
emocionada, alucinada e voraz
enviando aos céus as notas sofridas de sua dor

Em sustenidos e  bemóis acentuados
eleva o tom tentando auferir a atenção da musa
que lhe inspirara a serenata

E a lua com seu sorriso cor de prata
viaja nas asas da brisa para além do horizonte
e a poetisa enamorada sussurra entre gemidos e desejos
uma ária apaixonada na vã tentativa de granjear o seu amor
(Gracita)