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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Decepção do Papai Noel

Um ano passa muito rápido e o Papai Noel reuniu todos os seus companheiros Duendes na oficina e disse-lhes que precisavam trabalhar com afinco para que os brinquedos que seriam entregues às crianças no natal ficassem prontos em tempo hábil. E como uma dança frenética a oficina fervilhava com os pequenos Duendes trabalhando ininterruptamente. Corta, serra, lixa, alisa, arredonda, pinta, organiza, faz laços, embala e coloca os brinquedos nas estantes esperando pelo grande dia. O dia em que o Papai Noel saia em seu trenó levando-os para as crianças que aguardavam ansiosas a chegada do bom velhinho. As cartinhas foram chegando e o Duende secretário elaborou uma longa lista com todos os pedidos. Tudo pronto era chegado o momento de separar os presentes de acordo com os pedidos das cartinhas. Papai Noel senta-se em sua cadeira de balanço com aquela lista enorme nas mãos. E qual não foi a surpresa! Nenhum dos presentes confeccionados atendiam os desejos das crianças. Seu sorriso transformou-se em decepção. As lágrimas escorriam de seus olhos e molhavam o papel. Os Duendes ao vê-lo tão triste e cabisbaixo indagaram:
_ O que houve Papai Noel?
- Por que choras - indagou o Duende secretário?
- Fiz algo errado que possa tê-lo magoado tanto?
- O Papai Noel nada disse. Levantou-se, estendeu a lista para eles e saiu para esquiar na neve. Quem sabe o vento gelado pudesse aplacar a dor e a tristeza que havia em seu coração.
Os Duendes ficaram aturdidos com aqueles pedidos e saíram em busca do Papai Noel.
O Duende sênior era sábio! Ele disse ao Papai Noel:
_ Caro Papai Noel, estas crianças robotizadas não estão vivendo a infância. Isto ficou claro naquelas cartinhas com todos aqueles pedidos de objetos eletrônicos. Faz tempo que essas crianças não conhecem o "valor do brincar". Bolas, bonecas, carrinhos, ursinhos, piões e outros brinquedos que confeccionamos com tanto amor não servem mais para estes adultos em miniatura. Mas o senhor vai lhes dar uma lição.
- Como? O que posso fazer? Não tenho como atender esses pedidos.
O Duende Sênior respondeu:
_ Desta vez o senhor vai passar nas casas desses robozinhos da tecnologia e não vai deixar nada.
E no dia do natal uma grande confraternização vai acontecer no parque da cidade. É lá que o senhor vai aparecer com o saco e distribuir todos os nossos presentes para as crianças carentes do orfanato.
Conforme o combinado o Papai Noel passa em todas as casas. Acena, sorri mas não deixa nenhum presente. E na manhã seguinte ele resolve aparecer na praça num lindo helicóptero vermelho. As crianças sorriem e batem palmas de alegria. Risos, brincadeiras, correria. Era a infância que fervilhava de emoção. E o Papai Noel cumpriu a sua missão que é fazer germinar o sorriso no rosto de uma criança. Os pequenos robôs ao ouvir toda aquela algazarra foram chegando de mansinho. A infância floresceu mais uma vez. Esqueceram seus eletrônicos e entraram  nos folguedos divertindo-se como nunca. Lição aprendida, Papai Noel se despede. A lição vai ficar para sempre. Criança é criança e deve viver sua infância. Feliz, retornou ao Pólo Norte para recomeçar outra maratona para o próximo natal. Natal de alegria, de brincadeiras e muitos folguedos proporcionados pelos seus brinquedos.