Na hora do prelúdio crepuscular
Em que o brilho lunar vem me acariciar
Ampulheta insaciável devora o tempo
No desfolhar de minh'alma silenciosa
Quisera nós... parar por um momento
O tempo que vai se apartando de nós
Quando num piscar de olhos, os sonhos
Transformados em ilusória utopia
Foram acomodados na quimera da vida
E eu aprisionada na ampulheta do tempo
Respiro as partículas de um eterno amor
Na notívaga quietude do fim de tarde
Assisto o delinear da madrugada
Minh'alma cansada da luta diária
É consumida pela dor da saudade
Sinto o desfolhar da paixão
aprisionada na ampulheta do tempo
silencia em minh'alma as minhas certezas
traz o sabor das lágrimas da infinita decepção
E eu aprisionada na ampulheta do tempo
Navego e naufrago nas asas da desilusão
Procuro suturar os versos da poesia
E salvar nas estrofes da elegia
O amor que deambulou sem destino
Pelas veredas tortuosas do coração
Esperava o romper da aurora
Para libertar-me daquela ampulheta voraz
E me levasse sem demora para o aconchego
Dos apaixonados braços teus
(Gracita)
