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segunda-feira, 22 de abril de 2019

Conversa das mãos

Mãos... são assim
Côncavas no ser
Convexas no toque
Frescas quando livres do abandono
Consumidas pelo espanto da vida
Inquietas no desejo de tocar
Conchinhas na leveza do acariciar

Mãos que conversam no silêncio dos movimentos
Ferramentas preciosas: delicadas, finas, airosas
Suaves, macias, calorosas, perfumadas
Mãos que encantam e trazem a vida 
Mãos que se juntam na solução de desafios

Mãos pesadas, calejadas, raivosas
Mãos que atacam nos momentos de agonia
Mãos que sofrem e se encolhem nos embates da vida

Mãos que batem maldosas ante as asperezas da vida
Duras sãos as mãos que repelem falsas promessas
Que sobejam mágoas, esquecimentos e ingratidão

Não podemos nos esquecer das mãos dadivosas
Que no silêncio dos dizeres acalmam e acariciam
Mãos que se unem em oração num pedido mudo de perdão

Mãos finas e femininas que nos abraçam com emoção
Mãos fortes e poderosas que nos sustentam 
nas dores que machucam o coração
Mãos abençoadas que se unem num gesto de proteção
Mãos que amam e são divinamente amadas
Mãos espiritualizadas que confortam e são confortadas

Na conversa das mãos há muitos dizeres
Há também quereres e quimeras vãs
Há filosofias de vida buscando espaço
Há finitudes e completudes 
Com função termorreguladora
de equilibrar os parâmetros irregulares da vida
(Gracita)

João Monlevade, 22/04/2019