Incerto... indefinido... impalpável...
Foi assim que tudo começou
Uma união maluca, turbulenta
Uma instabilidade perceptível
Mas foi essa desconexão
Que fez florescer nossa paixão
A distância intrusa era o elo
Que nos permitia sonhar com veemência
O dia do nosso primeiro encontro
Ansiávamos pela troca cúmplice de olhares
Pelos abraços intensos que iríamos trocar
E pelos demorados beijos que iríamos roubar
E quando mais distantes nos encontrávamos
Mais incerto se revelava o momento do encontro
Mas nem a distância usurpadora teve forças
Para atenuar os nossos desejos
Embora o encontro fosse indefinido
Sabíamos que um dia aquela distância
que nos isolou na incerteza seria
de fato a amiga que faria nossa união
Ela era detentora do carinho em demasia
do desejo insaciável que fazia pulsar
nossas entranhas latejantes e vorazes
Deixando que o amor absoluto e cúmplice
vencesse a agenda da incerteza e da indefinição
para enflorar em nossos apaixonados corações
(Gracita)
João Monlevade, 08/06/2019