Este café é de uma riqueza grandiosa.
Mais uma vez estamos recebendo nesta casa
a notável poetisa portuguesa Graça Pires.
Fico honrada em prosear com uma poetisa desse quilate.
O Sonhos e Poesia se curva diante desta extraordinária
moça que sabe versar com elegância e galhardia.
O Café já está no bule. Os biscoitinhos de nata acabaram
de sair do forno. Vamos nos servir e degustar a pérola
que a nossa grande amiga Graça trouxe para este
nosso minutinho de prosa.
Seja bem vinda, grande poetisa!
Não me lembro da cor dos meus olhos, quando, em menina, me
comovia com heróis imaginários.
Mas, recordo-me bem, eu fui a princesa do conto de fadas da
minha infância.
Do âmago da emoção a contemplo, prisioneira do mesmo luar
que me protegia da noite.
Sobre isto, não há lugar para explicações metafísicas. Tudo
se esgotava naquele mundo encantado de palavras, que me apagavam do olhar todas
as sombras.
Depois, perdi a inocência, por descuido, e deixei de ser
princesa.
Blondina era o seu nome.