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segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Café com Prosa - Proseando com Ailime

 

Estamos de volta ao nosso "Café com Prosa"
E estamos retornando em grande estilo.
E para coroar com o seu talento vamos receber
a poetisa portuguesa "Ailime"
Ela chega envolta em sutileza...
Traz um bordado poético exuberante
e nos envolve no glamour de seus lindos versos.
Um dia... assim verseja Ailime!
Caro amigo leitor,
Entre... sente-se!
Sirva-se de café e rosquinhas de nata.
Deguste com prazer esta bela poesia
ofertada para o nosso deleite
pela brilhante escritora Ailime
Bora prosear?

Um dia


Um dia pode significar uma infinidade de coisas e factos.

Mas num dia não cabe todo o amor que as distâncias separam

todas as saudades que fazem doer o coração

todo o afeto que um beijo pode transmitir

ou o abraço apertado que se dá com um nó na garganta.

 

Um dia pode significar uma infinidade de coisas e factos.

Mas jamais pode substituir a presença de quem longe

olha o horizonte como se ali pudesse beber da seiva das suas raízes

mergulhar num mar de sentimentos reprimidos

estreitando os laços que teimam em queimar a pele.

 

Um dia pode significar uma infinidade de coisas e factos.

Lembranças, glórias, vitórias, feitos, conquistas

mas jamais poderá mostrar o brilho do olhar e o sorriso

de quem longe é pródigo em silêncios e solidão

atravessando o dia com uma vontade irreprimível de regressar.

 

11.06.2022

Ailime



sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Vem aí...

 

A nossa convidada ficará muito feliz em recebê-los 
para um minutinho de prosa.
Acomodem-se no nosso cantinho do café enquanto a nossa
convidada atravessa o Oceano para se juntar a nós
Um fraterno abraço para você amigo leitor que sempre prestigia 
com ternura e amabilidade todos os convidados e permanece
em nosso cantinho de poesia para
degustar o cafezinho e participar de uma prosa especial
Até segunda feira com as bênçãos do Nosso Pai Celestial

Gracita






sábado, 21 de janeiro de 2023

O voo da borboleta

 

Meu olhar é atraído pelo balé esfuziante da bela borboleta

Em voos concêntricos ela esvoaça aproximando-se das flores

Num pouso suave e delicado ela aninha-se no ramo da folhagem

 

A brancura de tuas alvas asas faz um contraste luminoso

com o dourado brilhante do sol que aquece suas asas

E num ritmo perfeito e sincronizado ela bate as asas

como se bailasse ao som da valsa da primavera

 

E eu extasiada contemplava aquele suave ruflar de asas

que me emocionava tal a beleza daquele delicado balé

E num instante mais do que efêmero e sem aviso

ela se curva num voo rasante e desaparece

na curva do arco íris deixando-me estática a sonhar

(Gracita)


quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Mulher de Atitude

 

(Imagem oferecida pela Chica)

        Numa fria tarde de inverno Lélio e Bromélia saíram de casa com o intento de curtir os últimos raios de sol antes que os flocos de neve caíssem e formassem um belíssimo tapete de brancura sem igual. Se vestiram com o esmero que lhes era peculiar e tomaram o caminho do parque que era o local preferido da Bromélia porque ali havia uma infinidade de flores. E como o nome indica ela tinha paixão por flores. Lélio não compartilhava dessa paixão mas por amá-la fazia-lhe todas as vontades. 

        Numa das alamedas Bromélia percebeu algo diferente. No lugar do canteiro de gramíneas havia uma cova não muito funda. Aguçou os sentidos e ficou alerta. Alguém chorava. Um choro mansinho e dorido. Olhou em volta. Não viu ninguém! Só o Lélio ao seu lado. Mas o chorinho continuava insistente.

         Chegou mais perto daquela cova e o que viu a deixou estarrecida. Havia muitos vasinhos com belas plantas. Aquela cena desconcertou-a! Entregou a bolsa para o pachorrento Lélio e se ajoelhou para ver mais de perto e entender o que estava acontecendo com aquelas delicadas florzinhas.

         Bromélia acariciou uma florzinha lilás e como por mágica o choro cessou. Bromélia que tinha o hábito de conversar com as plantinhas perguntou:

         _ Minha linda, era você que estava chorando?

A florzinha balançou suas delicadas pétalas confirmando a resposta.

         Enquanto Bromélia estava distraída em seu diálogo com a florzinha apareceram vários funcionários da prefeitura que ao vê-la de cócoras começaram a caçoar. O mais atrevido disse:

          _Aquela velhinha louca está conversando com as plantas. Será que ela acha que as plantas vão responder?

          Lélio que até então estava paralisado como uma múmia ficou vermelho como um tomate e foi tirar satisfação com o funcionário

          Com o dedo em riste ele disse: 

        _ seu energúmeno! Então você não sabe que as plantas tem sentimentos? Que elas choram e sofrem por causa de pessoas estúpidas como você? A minha esposa conversa com as plantas e saiba que elas respondem.

          O funcionário lhe respondeu:

          _ Então esta será a última vez que estas plantinhas vão falar porque viemos enterrá-las a mando do Sr. Prefeito.

           Ao ouvir este despautério Bromélia levantou-se enfezada e tomando o guarda chuva do marido começou a desferir golpes violentos nos funcionários. Lélio a ajudava nessa agressiva tarefa.

         Bromélia gritava: 

        _ Vá chamar o prefeito! Quero ver se ele tem coragem de mandar matar estas inocentes plantinhas aqui na minha frente. 

          A confusão atraiu curiosos. Um funcionário chegou logo depois com o prefeito que boquiaberto olhava a cena constrangedora em que havia se metido. 

        A multidão gritava apoiando a atitude da Bromélia. O prefeito vencido por tantos gritos ordenou que se fizesse o plantio daquelas florzinhas. 

          E Bromélia ficou lá até ver o término do plantio. Muitos anos se passaram e no lugar daquela cova existe um magnífico canteiro de petúnias multicores e isso graças ao imenso amor da Bromélia pelas plantinhas.

(Conto escrevinhado por Gracita)

Queridos amigos venham conhecer o meu blog de vídeos. Acesse o link abaixo

Vídeo poema

domingo, 1 de janeiro de 2023

Pavão enamorado

 

Um pavão real

 garboso e elegante

ostenta o esplendor

de suas plumas

numa altivez colossal

impregnado de luxo imperial

 

Majestoso e soberbo

abre o leque em arco íris

pavoneando sua beleza

para o delírio da pavoa fascinada

que olhava dissimulada

aquela faustosa cauda brilhante

 

E o pavão se exibia

para sua amada impressionar

um prisma de penas brilhantes

adornado por abundantes matizes

 

A pavoa apaixonada

suspirava de prazer

e naquele leque abre e fecha

embevecida foi se esconder

 

O pavão continuou seu espetáculo

para a amada convencer

orgulhoso da sua beleza

ostentava o mistério

da sua belíssima pigmentação

 

A pavoa apaixonada

aceitou a corte galante

e no mesmo instante

abraçou o seu amante

(Gracita)