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domingo, 25 de agosto de 2024

Retrato retratado

 

Hoje eu me entrego diante do espelho
Encontro-me perdida em terra estrangeira
Vivendo de forma clandestina
Distante de mim mesma

Meu retrato...
Retrata o que eu sou
Quem decifrará minha alma
Fui invadida, atacada no âmago do meu ser
Fugi daqueles que me atacaram
Hoje clandestina nesta vida estou

Ouço vozes ao longe...
Dizendo em sintonia
Volte... volte...volte!
Saia desta vida clandestina

Hoje decidi ser o dia
Que vou sair da clandestinidade
O atacante já foi descoberto 
Mas jamais será revelado

De frente pro espelho
Vejo uma alma
idêntica à minha
Retratos iguais
Seremos clones?

Jamais!
Eu continuo a ser eu
Liberta às vezes
Clandestina em outras
Mas sempre serei eu

O meu retrato foi retratado
Com clareza e nitidez
Por vezes mostro minha pureza de alma
Noutras me refugio na clandestinidade

(Gracita fraga)


segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Palavras ao vento

 

Tuas doces palavras são como grãos de pólen levadas pelo vento
Doces palavras espalhadas pela brisa que se perdem no tempo
Tu não me conheces e eu não te conheço
Você não sabe quem eu sou e eu não sei quem tu és
Somos seres ímpares enlaçados pelos versos da poesia

É o apego que temos pelas palavras que nos mantêm enlaçados
O desapego de alguns pelos versos nos deixa destroçados
Somos extraordinários em nossos sonhos de fazer poesia
Mas encontramo-nos dispersos em nossos quereres
Estamos perdidos na multidão de seres insensíveis

Precisamos estar aglutinados em comunhão poética
Nossos versos não podem ser transportados pelo vento
Somos seres que nos alimentamos da beleza das palavras
Somos poetas! Vivemos a fazer poesia

Que as nossas palavras rimadas ou não
Não sejam deslocadas pelo vento
Elas precisam compor a poesia
Que é o nosso banquete literário de cada dia
(Gracita Fraga)



segunda-feira, 5 de agosto de 2024

"Amores vãos"

Nas turbulências da vida, uma realidade sem cor

Ser feliz, não sabia, menos ainda sabia do amor

Dentro da alma um vazio, vivia um vácuo emocional

O corpo era açoitado pelo vazio da falta de um amor

 

Levava uma vida morna, desconhecia a sensação de amar

E numa noite qualquer, alguém apareceu de repente

Deu-lhe um novo motivo, a vida tomou sentido

De alma renovada, de esperança bordada, sorriu apaixonada

 

Aquela mulher desiludida, conheceu a emoção de novamente amar

O coração pulsou forte, revigorou-se, enfim um novo rumo

Ansiava por aquele enlevo, puro encantamento, de novo aprendeu a sorrir

 

Mas há surpresas, ao dobrar de cada esquina nas vielas da vida

A mulher que como a fênix renasceu, sofreu, como menina chorou

Aquele a quem entregou a pureza do seu coração era somente uma miragem

Desejou amar e ser amada. Aprendeu com sofrimento que nesta vida

Os amores vêm... “os amores vãos”

 (Gracita)