Páginas

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Vestido preto

 

Coloquei sem pensar o vestido preto que me destes
Um último olhar para tatuar na retina o nosso ninho de amor
Um recado rabiscado com letras trêmulas
Foi tudo o que restou dos nossos mágicos momentos de amor

Por um momento eu não quis deixar-te ir
A  minha mente zelosa continuava querendo cuidar de ti
Não abriria mão da nossa felicidade conjugal
Você é o meu amparo na travessia da vida

A mala pronta aguardava o momento da sua partida
Mesmo que a dor venha me cobrar ternuras
Eu não quero e não posso abrir mão da nossa vida
Uma separação agora será o confronto de duas almas feridas

Vivemos a volúpia do divino pecado
Quantas vezes eu fiz sorrir os teus lábios
E eu tola me aconchegava em suas teias invisíveis
Procurando com urgência o sabor do teu corpo

Chegaste! Olhava-me com olhares lascivos
O meu corpo sentiu o frêmito da paixão que emanava de ti
O vestido preto foi arrancado com impetuosidade
A ternura nos envolveu e o amor novamente floresceu
(Gracita Fraga)