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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Caminhar sem destino

Uma estrada deserta
Um convite mudo
Um estímulo à andança

Andar sem destino
Sem rumo, sem direção
Apenas caminhar!

Andar pela estrada
Aonde as curvas
Quiserem me levar

Sentir no rosto
o beijo da brisa
abrir os braços
para a liberdade

Expulsar do peito
Uma grande saudade
Sonhar com a liberdade
Extrair as algemas
Que prende o coração

Voar para o futuro
Mergulhar no infinito
 Deixar as lágrimas rolarem
E na imensidão azul do horizonte
Minha saudade afogar.
(Gracita)
Minha participação na 71ª Edição do Poetizando e Encantando
BC proposta pela amiga Lourdes do blog Filosofando na Vida

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Prodigioso acuarelista

Ontem... hoje... quem sabe?
Um amor de outrora?
Talvez...

Moça aprisionada
Numa tela aquarelada
Semblante terno
Coração pulsante
Amor subentendido

Meio sorriso
No canto da boca
Lembranças suaves
Ternas recordações

Jardim do Éden
Flores em profusão
Um mimo gracioso
Um adorno em sua mão

Borboleta de tinta
Não sai do papel
Eternizada na pintura
júbilo de contenteza

Moça do ontem
Do hoje quem sabe
Um amor do futuro
pigmentado com aquarela

Uma musa diáfana
Um sonho de amor
Eternizado pelos pincéis
de um prodigioso acuarelista
(Gracita)

Ps: Acuarelista - artista que pinta telas usando somente aquarela
Minha participação na 70ª Edição do Poetizando e Encantando
da amiga Lourdes em seu blog Filosofando na Vida

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A última valsa

A orquestra executava a última valsa da noite
No salão vazio eu completamente hipnotizada
olhava-te de soslaio para não demonstrar
o desejo que me consumia de estar nos seus braços

Num instante fugaz nossos olhares se encontraram
você se aproximou sorrindo e convidou-me para bailar 
Entreguei-me a ti suspirando de prazer e tesão
abraçou-me com delicadeza e começamos a valsar pelo salão

Lembranças de outrora afloraram em minha mente
Eu te amei da forma mais intensa que pudesse existir
Você me ofereceu seu colo e eu me entreguei aos seus carinhos

Tu foste embora quebrando-me em mil pedaços
Eu te amava com tanta intensidade sem nenhuma reciprocidade
E hoje pedes-me uma última valsa deixando-me contorcer de amor

Me comprometi sem restrições com o nosso amor
Eu fui totalmente sua na minha doce ingenuidade
Você foi racional na sua parcialidade unilateral
Sou uma sobrevivente do amor não correspondido
que acompanhou-te no bailado da nossa triste e silenciosa despedida
(Gracita)

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Soneto da saudade

Em dias cinzentos e nebulosos as lembranças afloram
a velha mágoa já envelhecida enrijece na brancura do tempo
o coração corroído pela tristeza do abandono arrefece e chora
todo o sentimento de cumplicidade e amor vira dor sem demora

A saudade petrifica o coração e emudece o peito
os olhos tristes enevoados pela dor não veem a luz indo embora
Maltratada a alma se desmancha em fendas e fissuras
como o efêmero orvalho da manhã que ao receber o beijo do sol evapora

Na solidão o incólume destino fica enclausurado
guarda no coração os resquícios da paixão e do pecado
e o amor que fez pulsar o coração esvaiu-se na efemeridade do tempo

A luz esbranquiçada do luar não faz o coração regenerar
a escassez de sentimentos persiste e a desilusão persevera
sorrir não ousaria pois o coração lacrimeja de saudade 
(Gracita)
Minha participação na 69ª edição do Poetizando e Encantando
Proposta da amiga Lourdes do blog Filosofando na Vida

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

A velhice do abandono

Andando solitária nas avarias da vida
Vejo chegar a velhice e eu quero estar plena de sabedoria
De uma sociedade que foi vil e injusta
Quero a decência de dias plenos porque na vida
fui uma hábil artesã na lapidação da minha experiência

Não quero ser óbice, muito menos empecilho
Nem o estorvo a atrapalhar, não serei o obstáculo
Muito menos a insapiência da incapacidade
Não serei devoluta da ociosidade

Não quero que me veja como o sinônimo do fim
Não quero ser abandonada nos rejeitos da solidão
Tampouco desejo ser objeto de comiseração

Quero a merecida gratidão pelo que fui e produzi
Quero o respeito digno sem as mazelas das falsas ilusões
Quero a dignidade da longevidade 
Dos direitos direitos civis conquistados
Mereço amparo, respeito e solidariedade

Não quero ser mais uma vítima da velhice do abandono
Ingratidão só aceito a do tempo implacável e feroz
Que sugou minha jovialidade deixando-me a inegociável degradação
(Gracita)

Retomando a minha participação nesta BC proposta pela amiga Lourdes Duarte do blog Filosofando na Vida a quem agradeço o carinho e o convite sempre terno para brincarmos de "Poetizar e Encantar"