Páginas

domingo, 29 de setembro de 2024

Noite insone

A brisa fria entra pela janela

Faz balançar com suavidade a cortina

Insiste em trazer ao meu pensamento

Aquilo que agora me desatina

 

Na tranquilidade do teu leito, dormes

Ignoras a minha fragilidade

Meu coração chora...

Ecos de dor e saudade

 

A vida vã e triste foi-se embora

A sua presença promete amor

Os dias vazios, opacos e sem cor

Enfim terão o fim tão esperado

 

De sonhos embrulhados e envolventes

Sem perceber o passar do tempo

Éramos dois em um só coração

Num compasso único, no mesmo ritmo

 

Amor feito de despedida e saudade

Amor de retorno bordado de sorrisos

Tudo o que na vida procuramos com insistência

Era viver a plenitude desse amor no paraíso

 

Se tivéssemos parado o tempo

Naquele fatídico boa noite

Não estaria eu aqui neste momento

Chorando a solidão do desencontro

 

Mas saiba, meu amor, eu estarei sempre

Presente nos versos da tua poesia

Não ficarei fora do contexto

Meu lema... te amar em todos os tempos

(Gracita)


 

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Sussurros ao Vento

 

Às vezes e só algumas vezes
Deixo a inspiração extravasar
Arrisco com palavras ousadas
O que chamam de poesia

Às vezes e só algumas vezes
Ouço o sussurro do vento
A ditar-me palavras de uma canção
Transcrevo então a melodia
Antes que os ventos se calem
Em triste e desiludida sintonia

Às vezes e só algumas vezes
Escrevo quase em letargia
Não posso perder a sinergia
Que advém da suave poesia

Em constante mutação
Escrevo poesias vindas do coração
São versos sussurrados em meu ouvido
Versos que falam com emoção
Poetas e poesia  não coadunam
Com a pujante razão
(Gracita)




sábado, 7 de setembro de 2024

Folhas e Versos

Folheando as páginas fictícias do pensamento
Na expectativa de encontrar uma nova inspiração
Para realçar as páginas amareladas da poesia
Percebo-me totalmente submersa
Na imensidão do pensamento lírico

Circundada pelas artimanhas da fonética
Saio à procura do papel e da caneta
Tirar das gavetas da memória
Os versos que desejo criar

O poeta chora a sua enrustida dor
E derrama no papel envelhecido
A sua inspiração bordada de amor
Vê com os olhos da ilusão
Como o seu dorido coração
Sente a dor da desilusão

E bordada em lágrimas curtidas
O poeta rabisca mais uma poesia
Nos veios do amor não correspondido
Oh! Que desilusão!
A poesia foi o registro do descaso
De mais um caso de amor
Que não cresceu e não frutificou
(Gracita)