domingo, 21 de novembro de 2021

O vale da felicidade

 

Descobri onde mora a felicidade

Sentindo a tua ausência, ao findar de mais um dia, também parti

Voei para outras paragens buscando outras formas de felicidade

Uma passagem num túnel de muita luz me foi oferecida

Acedi à estreita passagem e por ela desci...

 

Uma deusa de rara e exótica beleza me conduzia

pelos labirintos perfumados ornado por flores minúsculas de jasmim

Em meu coração a pulsação crescia ante aquele brilho de ilusão

 

Lagoas azuis aprisionadas em desertos ensolarados

 cascatas brilhantes jorravam fagulhas de amor

para saciar a sede dos viajantes em percalço

 

Como se fosse uma quimera te vi, linda, esvoaçante

pousada no seixo mais belo da lagoa a banhar-se

como ninfa dourada numa banheira de espuma

 

A deusa puxou-me pela mão ao ver o meu deslumbramento

atendendo ao seu desejo caminhei por colinas verdejantes

a excitação crescia na proporção da tentação

o ruflar de suas asas douradas me atraía

eu não te esquecia... sofria... mas seguia

 

Vi castelos formosos serem desfeitos pelo leve sopro da brisa do mar

Vi corpos de areia, figuras sem alma,

serem devassados pelo ciúme do vento

Num jardim de magnólias geometricamente desenhado

vislumbrei a minha borboleta dourada pousada numa flor escarlate

sorrindo embevecida ao me ver aproximar

 

A deusa desapareceu num redemoinho de vento

Com um giro e belo rodopio tu te puseste a dançar

e ao final do frenético e luxuriante bailado

vi o encanto se quebrar e ali em meio às flores

Conseguimos enfim nos abraçar e com um beijo demorado

selamos o nosso amor e naquele vale da felicidade decidimos morar

Gracita