segunda-feira, 12 de março de 2018

Promessas vãs

Prometeste fantasiar as noites
com a magia dos raios de luar
matizar de dourado a poesia
para iluminar os meus silêncios
ressequidos pela falta de emoção

Prometeste inseminar o horizonte
com o brilho de uma miríade estelar
e alinhar o nosso encontro
num bailado de amor ao luar

Prometeste desmascarar o tempo
que rouba as rimas da poesia
aliciando a vida com metáforas 
hiperbolizando as trovas
perfumando-as com a nossa canção

Prometeste atos conciliatórios
para nosso amor de conspiração
prometeste recorrer ao ápice da poesia
para edificar a essência do nosso amor
proliferando em cada verso
nossos suspiros sussurrados
asfixiados numa estrofe estrangulada
 os nossos desejos enclausurados

Prometeste fazer desabrochar na poesia
o entalhe profundo de um abraço
houve uma fissura no tempo
onde colho os tristes lamentos
da sua falta de compromisso
para com a nossa excêntrica poesia

Em cada noite que passar
olharemos a lua com saudades
repartiremos nossos silêncios
convertidos em prazeres ovacionados
quando brindavas-me com o sopro
de uma enamorada poesia
(Gracita)