quarta-feira, 19 de março de 2025

Exílio Interior

 

Na alma, um país sem fronteiras,

Onde o silêncio ecoa em canções mudas.

Caminhos tortuosos, sem bandeiras,

E a solidão, rainha das dúvidas.

 

No peito, um deserto de areias movediças,

Onde a esperança se perde em miragens.

Lágrimas salgadas, como ondas fugidias,

Afogam os sonhos em paisagens.

 

A mente, um labirinto de sombras e ecos,

Onde o passado assombra o presente.

Memórias desbotadas, como retratos secos,

Emolduram a dor, eternamente.

 

No coração, um castelo de gelo e granito,

Onde o amor se esconde em criptas secretas.

A alma, um pássaro ferido, sem grito,

Preso em correntes invisíveis e inquietas.

 

Mas, em meio à escuridão, uma faísca de luz,

A chama da esperança, que teima em brilhar.

No exílio interior, a alma se conduz,

Em busca da liberdade, para recomeçar.

(Gracita Fraga)