O café está na mesa! Podem chegar e se acomodar pois vamos desfrutar de uma boa prosa. A escritora de hoje é uma carioca que usa com propriedade e maestria as palavras. É eloquente na arte do bem escrever. ´Tem vários livros publicados e é uma promotora da cultura literária. Sua prosa é envolvente e singular. O Sonhos e Poesia sente-se honrado com a presença da nossa querida amiga Norma Emiliano. Bora prosear com ela?
Em terras longínquas, distante do burburinho da cidade
grande havia um grande castelo construído na colina próxima do rio Naval.
Moravam nesse castelo o rei Ferdinando e o seu filho, o
príncipe Fernando.
O rei preocupado com os estudos do filho mandou que ele
fosse estudar no templo do mestre Ezequiel.
No templo o mestre disse que o príncipe Fernando deveria
iniciar seus estudos conhecendo os sons da floresta e lá ele deveria permanecer
um ano para identificar todos os sons e captá-los.
Fernando preparou uma mochila e nela colocou o seu mais
importante equipamento: um gravador
O tempo passou... era hora de retornar ao templo.
O mestre recebeu-o e pediu que Fernando descrevesse todos os
sons que ele ouvira na floresta.
E assim o príncipe Fernando iniciou o seu relato.
_Mestre, na floresta eu pude ouvir o canto dos pássaros, o
barulho das folhas agitadas pelo vento, o alvoroço dos colibris alimentando-se
do néctar das flores, o zumbido das abelhas voando de flor em flor, o barulho
do vento cortando os céus, o pio das corujas na noite escura, o som delicado
das gotas de chuva molhando as plantas...
Ao terminar o seu relato o mestre disse-lhe para voltar à
floresta e ouvisse tudo o mais que fosse possível ouvir.
Fernando ficou intrigado mas obedeceu a ordem do mestre.
Deitado na relva macia contemplando as estrelas Fernando
pensou:
Quais sons o mestre queria que identificasse se já ouvira
tudo.
No silêncio da noite Fernando aguçou os ouvidos. E um
encantamento foi tomando conta do seu corpo.
Pela manhã Fernando começou a ouvir sons vagos e tênues.
E quanto mais prestava atenção mais claros os sons se
tornavam.
E sem pressa ficou ali ouvindo pacientemente os sons para
identifica-los.
Quando retornou ao templo o mestre perguntou quais sons ele
ouvira. E Fernando relatou com clareza.
_Mestre, quando me deixei envolver pelo silêncio pude
perceber o som inaudível e suave das flores desabrochando, o som do sol
nascendo e aquecendo a terra, o barulho delicado da grama bebendo o orvalho da
noite...
O mestre sorriu em sinal de aprovação e disse:
_ Fernando, ouvir o inaudível é a calma necessária para se
tornar uma grande pessoa. Quando se ouve o coração das pessoas, seus
sentimentos mudos, seus medos escondidos, suas queixas silenciosas é que o
homem está pronto para inspirar confiança aos que estão ao seu redor e se torna
capaz de tomar decisões pautadas no respeito e no discernimento.
O homem se torna verdadeiramente humano quando aprende a
ouvir não apenas as palavras que saem da boca, mas capacita-se para ouvir o
interior dessas pessoas, decifrando os sentimentos tatuados em sua alma. Ele
ouve os sons inaudíveis de cada pessoa, sentimentos que não podem ser
mensurados, mas que têm grande valor pois florescem do coração de cada ser
humano.
Como o tempo passa rápido não é meus amigos? Chegamos na 1ª quinzena do mês de março. É chegado o momento de mais um "Café com Prosa"
regado a poesia. O "Sonhos e Poesia" se esmera na organização da casa para receber a nossa ilustre convidada que viajou muitos quilômetros singrando os mares para aportar aqui e nos obsequiar com um belíssimo poema para o nosso enlevo nesta sala onde a degustação assume o sabor dos versos poéticos. É uma escritora versátil! Ela transita com propriedade pelos gêneros prosa e poema. E o faz com requinte e glamour. Sirvam-se do café quentinho e degustem com júbilo a poesia da nossa querida escritora "Elvira Carvalho".
Desde a concepção até a morte ser mulher numa sociedade extremamente
machista é algo desafiador. Crescemos em uma cultura em que a sociedade esteve
nos limitando, nos julgando e menosprezando a nossa inteligência. Sempre fomos
tratadas com seres inferiores como se fôssemos incapazes pela nossa condição de
“ser mulher”. Hoje e em todos os 365 dias do ano temos que ficar atentas para
não naturalizar a desigualdade. Somos todas capazes e temos o direito à
equidade de oportunidades em qualquer situação, sempre com muito respeito. No
cenário social sentimos as mazelas da discriminação e do preconceito por sermos
femininas: afinal somos “MULHER”. Somos o elemento essencial de transformação e
superação social. Que todas nós “Mulheres” possamos ter a coragem e a lucidez de ser uma
mulher autêntica!”.
Ser Mulher!
Ser mulher...
É viver mil vidas em apenas uma vida
É travar uma batalha a cada novo dia
É desbravar o mundo machista
E no fim erguer a bandeira da conquista
Ser mulher...
É caminhar na estrada da incerteza
É acreditar no que ninguém acredita
É esperar quando ninguém mais espera
É cancelar os próprios sonhos em prol de outrem
Ser mulher...
É ter a capacidade de identificar uma lágrima falsa
É cair no fundo do poço e emergir sem ajuda
É estar em mil lugares de uma só vez
É desempenhar vários papeis ao mesmo tempo
Ser mulher...
É ser forte para vencer a luta e fingir ser frágil
É se perder nas palavras e depois perceber que se encontrou nelas
É distribuir emoções que nem sempre serão captadas
Ser mulher...
É saber dar o perdão mesmo sabendo que não será perdoada
É tentar recuperar o irrecuperável
É compreender o que ninguém conseguiu desvendar
É estender a mão a quem não teve a humildade de pedir
Ser mulher...
É saber a hora certa do fim
E esperar sempre por um recomeço
Ser mulher...
É ter a arrogância de viver numa sociedade misógina
Estamos de volta com o nosso saboroso "Café com Prosa"
E hoje seremos acolhidos e envolvidos por uma belíssima prosa poética.
A nossa amiga bordou a sua prosa com sentimentos profundos e intensos,
por isso, seremos circundados pelos fios do pertencimento.
Proseando conosco a brilhante escritora Carmen Luísa!
E para acompanhar esta estupenda prosa preparei um café fumegante
e alguns cupcakes de sabores diversos.
Sirvam-se! Degustem! e Deleitem-se!
Ao olhar, mais que ver, sentir a pertença àquele lugar, é
graça, é completude próxima de um arrebatamento que dispensa explicação. Todo
sentimento despertado lampeja em fração de segundos, despeja uma certeza até
então desconhecida e traz à vista o quê fala a sensação.
De onde surgiu essa voz que só a mim é audível? Como essa
vibração acelerou meu pulso, meu passo distraído, minha intuição? Serão visões
do passado? Serão lembranças de alguém? Serão histórias lidas ou não?
Parei de indagar, afinal, de que me serve saber para além do
fundamental que me diz pleno de convicção que:
___sim, reconhece-te nesta plaga. Faz-te parte das folhas,
das copas, do vento. Vista-se das gramíneas. Banhe-se na luz esmiuçada nos
troncos. Abrace a paz estendida em mesa farta e saboreie a grandeza da criação.
(Carmen Luísa)
Querida Carmen Luísa, a minha gratidão por oferecer a sua magnífica prosa para o deleite dos nossos amigos leitores que saboreiam com prazer este nosso momento único e especial