
Andando solitária nas avarias da vida
Vejo chegar a velhice e eu quero estar plena de sabedoria
De uma sociedade que foi vil e injusta
Quero a decência de dias plenos porque na vida
fui uma hábil artesã na lapidação da minha experiência
Não quero ser óbice, muito menos empecilho
Nem o estorvo a atrapalhar, não serei o obstáculo
Muito menos a insapiência da incapacidade
Não serei devoluta da ociosidade
Não quero que me veja como o sinônimo do fim
Não quero ser abandonada nos rejeitos da solidão
Tampouco desejo ser objeto de comiseração
Quero a merecida gratidão pelo que fui e produzi
Quero o respeito digno sem as mazelas das falsas ilusões
Quero a dignidade da longevidade
Dos direitos direitos civis conquistados
Mereço amparo, respeito e solidariedade
Não quero ser mais uma vítima da velhice do abandono
Ingratidão só aceito a do tempo implacável e feroz
Que sugou minha jovialidade deixando-me a inegociável degradação
(Gracita)

Retomando a minha participação nesta BC proposta pela amiga Lourdes Duarte do blog Filosofando na Vida a quem agradeço o carinho e o convite sempre terno para brincarmos de "Poetizar e Encantar"