Por um longo tempo andei perdida
desamparada de mim
caminhei por lugares escuros
em mim a ausência da certeza
aflorava em meu peito
o frio austero da impureza
Caminhei sem rumo, sem objetivo
persisti sem saber o motivo
Fiquei de frente pro abismo
Hesitei...
Não sabia se pulava
ou ali mesmo ficava
A dor que dilacerava
as minhas entranhas
era meu único
e palpável sinal vital
Serei eu um ser real?
A imagem que tenho de mim
Uma sobrevivente maltratada
pela agonia que corroi minh'alma
A caótica imensidão
O aparente vazio
É o reflexo da minha orfandade
(Gracita)