Sentada às portas do tempo
o silêncio abraça minh'alma
e acolhe os suspiros
que entoam súplicas
sufocadas num sorriso efêmero
Neste silêncio que me plenifica
ouço os ecos da minh'alma
pensamentos se reorganizam
e uma tênue paz
invade todo o meu ser
Sentimentos soltos
tecidos com fios de prata
formam um arabesco disforme
encontram-se perdidos na alma
Ecos de alegria e dor
coabitam dentro de nós
disfarçados em emoções inexplicáveis
impossíveis de serem ditas
pois faltam palavras
que as possam oralizar
E nesse transe de agonia
mergulho fundo na fantasia
expulso o que traz dor
deixo amornar o que oferece calor
Concentro-me nos pensamentos
que vozeiam na alma
o tédio invade a psique
sentimentos extraviados
precisam ser reorganizados
Tudo é abstrato
pensamentos duais
não há sincronismo
a alma está conflito
Ecos do meu viver
povoam meus sentidos
sonhos deixados no caminho
cambaleando nas dores recolhidas
vou levando os dias da minha vida
E como fiandeira do tempo
vou entrelaçando os fios do sentimento
embasados nos ecos da alma
que ditam o meu sentir neste viver
Gracita