segunda-feira, 31 de agosto de 2020

2ª Edição do Café Poético - Mês de Agosto


E mais uma vez os escritores portugueses marcam presença em nosso Café Poético! Recebemos com honras e galhardia a carismática poetisa Céu que atravessa o Atlântico para iluminar o nosso tapete literário com o seu carisma, a sua elegância e a arrebatadora poesia que nos faz suspirar de encantamento e prazer. Vamos conhecer esta notável poetisa e degustar a sua poética.
A 2ª Edição vem plena, grandiosa, Vigorosa
É preciso absorver o conteúdo com a alma leve, apaixonada

CÉU, de seu pseudónimo literário, nasceu no Baixo-Alentejo, na cidade de Beja em anos idos. Quantos anos tem? Tantos quantos os homens que desejou ter, teve ou tem: uma matemática incompleta (risos). Completou o Ensino Secundário com sucesso e licenciou-se, posteriormente, em História e em Português, escolhendo a área da Docência. Virginiana de signo, divide os seus dias entre o Ensino e a Escrita, que, desde cedo nela se manifestou.  A sua Professora da Instrução Primária, na 4ª classe, agora 4º ano, falou com a sua mãe e disse-lhe que a filha tinha, sobretudo na escrita, uma imaginação prodigiosa e demasiado fértil, bem à frente do seu tempo e fase etária. Na oralidade, era tímida, insegura, mas prudente.
Que dados temos nós, agora, para pensar que CÉU escreve aquilo que viveu, vive ou poderá vir a viver? Poucos, porque poucos conhecem CÉU e pouco também se sabe da sua vida, até porque as vivências de um artista, seja ele de que área for, são induzidas da convincente expressão literária que ele lhes dá, por outras palavras, da originalidade, da força, da comunicação, do fundo tom e da sensualidade e erotismo, no caso dela.
Fantasia (ou não sei se fantasia), mas realidade sim, pois CÉU contou-me, que tendo a sua mãe acabado de dar à luz, esta perguntou:
- É menino?...
- Não, menina! É uma flor, responderam!
Sim, antes de mais, CÉU nasceu mulher e não é impunemente que um ser nasce mulher.
CÉU, tem uma maneira muito sua de falar do sexo oposto: aquela que lhe advém de se sentir como alguém igual. Aprecio-a, pois vê-se que compreende as mulheres e percebe de homens. Ela consegue, com sensibilidade e clareza, com doçura e convicção, expressar o que muitas de nós pensamos.

“A mulher está muito próxima da natureza; há nela os mesmos encantos e os mesmos perigos” – Agostinho da Silva
“A palavra é o domínio que temos sobre o mundo” – Clarice Lispector

AUTORA - MARIA DE VASCONCELOS
CÉU: não me responsabilizo pelo conteúdo da Biografia (risos). 
Obrigada, Maria!

EXIBIÇÃO


Num estrado improvisado no teu quarto, deslumbrado

agitava-se um varão, entusiasmado e estimulado

olhando para a porta já de alerta e entreaberta

que ora parecia que se escancarava, ora se fechava

num descompasso intrigante, prolongado e frustrante

que gerou tamanha confusão, alaridos, gritos, agitação.



Tu, de pijama azul de cetim, num indescritível frenesim

cruzavas e descruzavas as pernas, estendido no chão

que parecia não poder contigo, tal a inquietação!

Enfartavas a boca de pipocas, umas a seguir às outras

sem olhares para mais nada, descontrolado, extasiado

esperando a minha triunfal entrada e repentina aparição.



Estava tudo combinado, até marquei hora para chegar

mas como mulher que se preze, tinha de me atrasar

para que no teu corpo reinasse um mar de impaciência

que te iria atordoando, inundando os poucos sentidos

que ainda te restavam, na tua leviana inconsciência

enquanto a tua líbido já se excitava, apenas de imaginar.



A porta do quarto rangeu e nele entrei eu. Oh, deuses!

Arregalaste o olhar quando me viste e ficaste triste

porque eu estava de casaco até os pés, encarnado.

Na cabeça, uma capeline em tule, com laço aprumado

nos pés, sapatos de cetim, negros, dizendo segredos

e nos olhos, uma máscara rendada e muito descarada.



Fitei-te apelativa, e depois acerquei-me de ti, convidativa

em passos curtos, engendrados, estudados e ensaiados

que te provocaram contorção e legítima convulsão

com as meninas dos olhos a dilatar e a boca a salivar

coisa que adorei observar, entusiasmar e aproveitar

inserindo-a na escala de Glasgow, quase já a se definhar.



O meu astuto e concebido plano estava a ser conseguido.

Tu, de rosto sorridente, apaixonado e bastante conivente

erguias os braços, todos arregaçados e entusiasmados

para me ajudares a remover do corpo aqueles estorvos

que me estavam a dar cabo das carnes, tão apetitosas

e do teu olhar, que já estava turvo e baço de tanto esperar.



Continuaste junto de mim, alapado, estonteado, frustrado

à espera de algo, talvez de um milagre feito pelo Universo

que me colocasse toda nua, à mão de semear, só tua

e a roupa, os muitos acessórios, berloques, não me toques

que se eclipsassem, finassem e que não te tramassem

pois tinhas toda uma Amazónia para desbravar e penetrar.



Achei-me bela e deslumbrante e rodopiei pelo quarto fora

em danças graciosas, pedintes, leves e exploratórias

que te diziam, certamente, que eu não me iria embora.

Estava só a fazer tempo, intensificando o teu tormento

arte em que sou profissional, perita, sublime e fatal

primando eu pelo bom gosto, classe, nível, arrebatamento.



Piscou-me o olho, rindo muito, provocante, desconcertante

dando-me a entender que era o momento de eu ceder

empurrando-me para o estrado, espaçoso e todo garboso

onde o impaciente varão, já em pulgas e aos saltos

me esperava, de braços já abertos, para ser provocado

prontinho e mortinho para me devolver o troco, certinho.



Fiquei por breves instantes, sem saber bem o que fazer

mas logo a minha fértil imaginação, se pôs em ação

desenvencilhando-me eu do varão, assaz compenetrado

de forma profissional, elegante, esmerada e sensual

correndo para a cama dele, melhor que Gata Borralheira

esperando o príncipe encantado, como nos contos de fadas.



Maravilhado com o meu gesto, ficou calado e espantado

o que lhe valeu o aconchego do meu peito, acalorado

a rigidez dos meus seios, pronta para o endoidar

a amplitude do encaixe do meu ventre, para abusar

com cavalgadas suadas, onde o galope desmesurado

originaria orgasmos repetidos, saborosos e consecutivos.



Na verdade, foi no leito dele, que comecei a real exibição

por não me sentir pressionada, impelida e obrigada

mas sim desejada, bem aventurada e muitíssimo amada

num ritmo supremo, melhor que orquestra ensaiada

em movimentos melódicos, agradáveis e sinfónicos

de tanta simetria, que a lua curiosa, inundou-nos à revelia.


CÉU

NOTA: a todos os leitores, amigos e seguidores de ambos os blogues, o da Gracita e o meu, deixo os meus agradecimentos pelas palavras aqui deixadas. Exprimam-se livremente!



domingo, 23 de agosto de 2020

Consciência espiritual

O amor é a graça redentora de toda a humanidade. Entramos em contato com essa energia primordial quando colocamos em uníssono a alma, o amor e o coração. Esse trio é a ligação intrínseca com o cosmos. O amor é o portal de luz para a consciência espiritual. O coração faz a ativação do amor e nossos sentires comandam um mundo inteiramente pleno de energias positivas. No reino da consciência espiritual, encontramos a paz, a serenidade, o êxtase e a inspiração que nos guia. Expandimos a consciência espiritual para uma visão mais abrangente da vida. Conhecemos outros valores e tornamo-nos mais seletivos. Atingimos o ápice da concentração mental e equilibramos os sentimentos da razão entrelaçados por nossas emoções. O fluxo do amor é fundamental à vida. Sem o amor que preenche o universo nada existiria. O amor é o portal para os reinos superiores onde está o nosso Deus, nosso elo de ligação que une alma e coração elevando-nos ao patamar da consciência espiritual. Estar em sintonia com o amor é libertar o espírito para explorar os reinos da consciência espiritual e poder desfrutar da benignidades que só a consciência espiritual exacerbada pelos dons divinos poderá nos guiar nos caminhos do bem, da verdade e da bem aventurança. O pensamento é que cria e ou transforma a realidade. Mas precisamos pautar os nossos pensamentos embasados no amor para que possamos moldar o nosso viver alicerçado na perseverança e positividade. Acionar o foco mental passando pelo reino da espiritualidade é certeza de trilharmos pelos caminhos da verdade e da justiça.Somos íons de energia vital e nossa capacidade criativa, e de bons e saudáveis relacionamentos advém de nossa consciência espiritual consubstanciada pelo amor que habita o nosso ser e expande-se para o exterior num relacionamento afetivo de dar e receber amor.
(Gracita)

 Este texto é o meu contributo para a festa dos 11 anos 
do blog  Idade Espiritual da amiga Rosélia
Vida longa e muitos parabéns ao blog Idade Espiritual


sábado, 22 de agosto de 2020

Lágrima solitária

Sinto uma lágrima solitária escorrendo pela minha face
Tento impedir de todas as formas que outras gotas molhadas
acompanhem o mesmo trajeto desta indócil e rebelde lágrima

Uma luta ineficiente e improfícua
Não demora muito e uma enxurrada de lágrimas
banha o meu rosto opaco e inexpressivo

Com essa torrente de lágrimas a escorrer
o coração se descontrola e pulsa acelerado
O coitado não sabe o que fazer para reter
aquele filete cristalino que teima em cair

O sangue se agita com a pulsação lépida do coração
E muda a tonalidade do rosto para o vermelho carmim
O corpo arde como lava incandescente e fumegante

Minhas mãos ondulam incontidas como se
pressurizassem um colossal iceberg
E tudo isso porquê?

As lágrimas enviaram ao coração mensagens
de tristeza e solidão com a lembrança
da sua repentina partida 
Faltou o abraço de despedida!
Choro de saudades!
(Gracita)


sábado, 15 de agosto de 2020

1ª Edição do Café Poético - Mês de Agosto

Desfilando na passarela poética do nosso Café a poetisa portuguesa Manuela Barroso. O bordado poético que ela nos oferece é imponente e majestoso! Com suas metáforas garbosamente alinhavadas ela nos presenteia com um notável e exuberante tecido poético e abraça-nos com um  eu lírico pujante e surpreendente.  Convido-os a emaranhar-se nos fios de sua magnificente poesia
QUE SABES TU ...

Que sabes tu do cântico do leito dos rios
e das águas frescas na vertigem do calor ?
As margens são as varandas, onde no verão
poisam as libelinhas nos beirais dos choupos em flor.
        
Vem, não te percas nos caminhos
colhendo o canto das cotovias
que correm de ramo em ramo,
louvando a luz do dia.

E quando chegares ao açude
compara  a desdita dos desventurados
com o sussurro  das cachoeiras,
rumorejando a alegria das
nascentes distantes,
que mesmo hoje no flagelo da guerra
correm frescas e cantantes como antes.

Manuela Barroso, in "Luminescências"
Na próxima Edição do Café Poético a poetisa Céu estará na passarela da poesia


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Improviso

De um sonho pueril
Floresce um poema viril
Nasce com asas
Um poema alado
Voo de liberdade

Coração em brasa
Poema incandescente
Amor ardente
Rima tempestuosa
Versos tórridos

A alma capta o gozo
Papel e tinta se casam
Versos e rimas se entrelaçam
Letras caem desordenadas
Vêm de improviso!

Palavras gestadas na imaginação
Engravidam versos sem conexão
E de improviso como a letra de uma canção
Borbulham trovas apaixonadas
Um composê sem rimas, sem intenção

E no improviso da alma
O poeta fecundou mais um poema
abastado de desejo e emoção
💞💞💞💞💞💞💞💞
Alinhavado por Gracita