E mais uma vez os escritores portugueses marcam presença em nosso Café Poético! Recebemos com honras e galhardia a carismática poetisa Céu que atravessa o Atlântico para iluminar o nosso tapete literário com o seu carisma, a sua elegância e a arrebatadora poesia que nos faz suspirar de encantamento e prazer. Vamos conhecer esta notável poetisa e degustar a sua poética.
A 2ª Edição vem plena, grandiosa, Vigorosa
É preciso absorver o conteúdo com a alma leve, apaixonada
CÉU, de seu pseudónimo literário, nasceu no Baixo-Alentejo,
na cidade de Beja em anos idos. Quantos anos tem? Tantos quantos os homens que
desejou ter, teve ou tem: uma matemática incompleta (risos). Completou o Ensino
Secundário com sucesso e licenciou-se, posteriormente, em História e em
Português, escolhendo a área da Docência. Virginiana de signo, divide os seus
dias entre o Ensino e a Escrita, que, desde cedo nela se manifestou. A sua Professora da Instrução Primária, na 4ª
classe, agora 4º ano, falou com a sua mãe e disse-lhe que a filha tinha,
sobretudo na escrita, uma imaginação prodigiosa e demasiado fértil, bem à
frente do seu tempo e fase etária. Na oralidade, era tímida, insegura, mas
prudente.
Que dados temos nós, agora, para pensar que CÉU escreve
aquilo que viveu, vive ou poderá vir a viver? Poucos, porque poucos conhecem
CÉU e pouco também se sabe da sua vida, até porque as vivências de um artista,
seja ele de que área for, são induzidas da convincente expressão literária que
ele lhes dá, por outras palavras, da originalidade, da força, da comunicação,
do fundo tom e da sensualidade e erotismo, no caso dela.
Fantasia (ou não sei se fantasia), mas realidade sim, pois
CÉU contou-me, que tendo a sua mãe acabado de dar à luz, esta perguntou:
- É menino?...
- Não, menina! É uma flor, responderam!
Sim, antes de mais, CÉU nasceu mulher e não é impunemente
que um ser nasce mulher.
CÉU, tem uma maneira muito sua de falar do sexo oposto:
aquela que lhe advém de se sentir como alguém igual. Aprecio-a, pois vê-se que
compreende as mulheres e percebe de homens. Ela consegue, com sensibilidade e
clareza, com doçura e convicção, expressar o que muitas de nós pensamos.
“A mulher está muito próxima da natureza; há nela os mesmos
encantos e os mesmos perigos” – Agostinho da Silva
“A palavra é o domínio que temos sobre o mundo” – Clarice
Lispector
AUTORA - MARIA DE VASCONCELOS
CÉU: não me responsabilizo pelo conteúdo da Biografia
(risos).
Obrigada, Maria!
EXIBIÇÃO
Num estrado improvisado no teu quarto, deslumbrado
agitava-se um varão, entusiasmado e estimulado
olhando para a porta já de alerta e entreaberta
que ora parecia que se escancarava, ora se fechava
num descompasso intrigante, prolongado e frustrante
que gerou tamanha confusão, alaridos, gritos, agitação.
Tu, de pijama azul de cetim, num indescritível frenesim
cruzavas e descruzavas as pernas, estendido no chão
que parecia não poder contigo, tal a inquietação!
Enfartavas a boca de pipocas, umas a seguir às outras
sem olhares para mais nada, descontrolado, extasiado
esperando a minha triunfal entrada e repentina aparição.
Estava tudo combinado, até marquei hora para chegar
mas como mulher que se preze, tinha de me atrasar
para que no teu corpo reinasse um mar de impaciência
que te iria atordoando, inundando os poucos sentidos
que ainda te restavam, na tua leviana inconsciência
enquanto a tua líbido já se excitava, apenas de imaginar.
A porta do quarto rangeu e nele entrei eu. Oh, deuses!
Arregalaste o olhar quando me viste e ficaste triste
porque eu estava de casaco até os pés, encarnado.
Na cabeça, uma capeline em tule, com laço aprumado
nos pés, sapatos de cetim, negros, dizendo segredos
e nos olhos, uma máscara rendada e muito descarada.
Fitei-te apelativa, e depois acerquei-me de ti, convidativa
em passos curtos, engendrados, estudados e ensaiados
que te provocaram contorção e legítima convulsão
com as meninas dos olhos a dilatar e a boca a salivar
coisa que adorei observar, entusiasmar e aproveitar
inserindo-a na escala de Glasgow, quase já a se definhar.
O meu astuto e concebido plano estava a ser conseguido.
Tu, de rosto sorridente, apaixonado e bastante conivente
erguias os braços, todos arregaçados e entusiasmados
para me ajudares a remover do corpo aqueles estorvos
que me estavam a dar cabo das carnes, tão apetitosas
e do teu olhar, que já estava turvo e baço de tanto esperar.
Continuaste junto de mim, alapado, estonteado, frustrado
à espera de algo, talvez de um milagre feito pelo Universo
que me colocasse toda nua, à mão de semear, só tua
e a roupa, os muitos acessórios, berloques, não me toques
que se eclipsassem, finassem e que não te tramassem
pois tinhas toda uma Amazónia para desbravar e penetrar.
Achei-me bela e deslumbrante e rodopiei pelo quarto fora
em danças graciosas, pedintes, leves e exploratórias
que te diziam, certamente, que eu não me iria embora.
Estava só a fazer tempo, intensificando o teu tormento
arte em que sou profissional, perita, sublime e fatal
primando eu pelo bom gosto, classe, nível, arrebatamento.
Piscou-me o olho, rindo muito, provocante, desconcertante
dando-me a entender que era o momento de eu ceder
empurrando-me para o estrado, espaçoso e todo garboso
onde o impaciente varão, já em pulgas e aos saltos
me esperava, de braços já abertos, para ser provocado
prontinho e mortinho para me devolver o troco, certinho.
Fiquei por breves instantes, sem saber bem o que fazer
mas logo a minha fértil imaginação, se pôs em ação
desenvencilhando-me eu do varão, assaz compenetrado
de forma profissional, elegante, esmerada e sensual
correndo para a cama dele, melhor que Gata Borralheira
esperando o príncipe encantado, como nos contos de fadas.
Maravilhado com o meu gesto, ficou calado e espantado
o que lhe valeu o aconchego do meu peito, acalorado
a rigidez dos meus seios, pronta para o endoidar
a amplitude do encaixe do meu ventre, para abusar
com cavalgadas suadas, onde o galope desmesurado
originaria orgasmos repetidos, saborosos e consecutivos.
Na verdade, foi no leito dele, que comecei a real exibição
por não me sentir pressionada, impelida e obrigada
mas sim desejada, bem aventurada e muitíssimo amada
num ritmo supremo, melhor que orquestra ensaiada
em movimentos melódicos, agradáveis e sinfónicos
de tanta simetria, que a lua curiosa, inundou-nos à revelia.
CÉU
NOTA: a todos os
leitores, amigos e seguidores de ambos os blogues, o da Gracita e o meu, deixo
os meus agradecimentos pelas palavras aqui deixadas. Exprimam-se livremente!





