Era uma noite sem véu
Um céu desprovido de estrelas
e num cantinho do céu
uma lua fininha espia o meu sofrer
Algo em mim dói
não sei o quê
sinto que ainda dói
intenso e profundo
flui e corrói
e lentamente meu sonho
destrói
É uma dor que não sei explicar
não por doer ou existir
é uma dor do ser ausente
que ficou no passado
deixando-me só no presente
Algo me dói
e como cansa esse doer
nenhum fio de esperança
faz essa dor tornar-se mansa
E nesse existencialismo fútil
vivo um dia... depois
o outro
e essa dor que não se cansa
e não pára de doer
Quem sabe numa outra noite sem véu
quando as estrelas estiverem
acesas no céu
o seu coração se canse
de tanto me fazer sofrer
e você volta para os braços meus
(Gracita)