Durante um tempo longo demais
Caminhei por estradas sinuosas
Completamente perdida
Desamparada de mim
A ausência da certeza
E o frio da impureza
Impregnado na alma
Sem rumo ou objetivo
Persisti pelas curvas da vida
De frente para o abismo
Fui acometida pela indecisão
Não sabia se pulava ou fugia
Riso e pranto misturaram-se
Num misto de pânico e horror
A dor consumia minhas entranhas
A podridão era um sinal vital
Era eu um ser vivo, real?
Na extremidade da loucura
A imagem do abandono
Formou-se em minha retina
Como uma arma letal
A caótica imensidão daquele abismo
O aparente vazio me trouxe por
Tortuosos e fétidos caminhos
A perspicácia deixou de ser meu guia
O meu ego agitou-se em meu cérebro
Um vento morno oscilou em mim
Minha percepção caiu na real
Sou um ser em constante construção
Preciso deixar para trás essa morbidade
Em meu caminho está a felicidade
Estou lúcida! Sou um ser pensante!
Continuo a caminhada pelas tortuosas
estradas da vida. Estou em busca de mim.
Preciso me encontrar!
(Gracita)