Venho costurando minha vida
Com as linhas da saudade
Escolho com redundância as cores
Procurando equilibrar os matizes
Para que o bordado final
Não se pareça com um emaranhado
De dor e desilusões
Por vezes o cinza insiste
Mas o marrom sempre impera
Logo me vem um sorriso
Pois existe saudade bonita
Eu mudo o tom, amarro fitas
De inúmeras cores e texturas
Busco pacientemente a ponta do novelo
E intercalo a trama com o fio amarelo
A saudade é a tecelã do tempo
Quando menos se espera
Ela se esvai devagarinho, num sopro
Arremata o momento, alinhava o pensamento
De súbito ela abre a porta e vai embora
Deixa um oco na trama da costura pois
Sabe que a qualquer momento poderá voltar
Deixa a porta encostada, o cadarço do lado de fora
Nunca avisa quando irá retornar e quando regressar
Encontrar-me-á costurando a trama com o verde fluorescente
Uma cor bem quente, que transmite esperança e paz
A saudade ao ver aquele tom brilhante
Sentir-se-á enfraquecida pela minha borbulhante energia
E eu vou trançando um bordado multicor com os fios
Da minha vida, ora tristes, ora alegres, mas enfim
É a trama da minha vida costurada em poesia
(Gracita)
Queridos amigos agradeço pelas palavras de apoio nestes dias em que fiquei afastada por motivo de saúde. O carinho de vocês foi essencial para a minha recuperação. Pra vocês a minha palavra é...