quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Madrugada fria

A brisa suave faz bambolear a cortina da janela
na penumbra do quarto os raios do luar
iluminam meu corpo que rola na cama

O silêncio inquietante da noite
invade a madruga fria
aconchego-me ainda mais aos lençóis
sinto o coração pulsar suavemente
a insônia me devora

Os pensamentos vagueiam sem rumo
pelos labirintos da minh'alma vazia
apenas a dor da saudade
dialoga baixinho comigo
uma lágrima furtiva
escorre dos meus olhos verdes
e pousa suavemente na maciez do travesseiro

Estou só, um vazio inebriante
deliciosamente calmo e sereno
 os meus sentidos captam 
os aprazíveis aromas da dama da noite
Estes aromas me acalmam 

Uma paz se apossa de mim
percebo com tristeza
o quão fugaz e etéreo
foi o nosso amor
que se esvaiu como a areia
que desce mansamente da ampulheta

E nesta madrugada fria
giro o corpo num gingado sensual
esperando o sono que não vem
a lua me sorri de longe
com um aceno se despede
Amanhece...!

(Gracita)