Oclusa dentro do meu casulo
nada vejo além do muro
neste ninho aconchegante
adormeço por um instante
Inacessível está o mundo
pra essa alma aprisionada
que chora aflita e agoniada
tentando sem êxito romper
o lacre inviolável da solidão
O tempo passa ligeiro
trazendo o vento galhofeiro
que faz festa no tecido do casulo
Como se fosse bordado
o fio translúcido se rompe
uma fenda aparece na nervura
daquele belo trançado
O luar me encontra compungida
afogada nas lágrimas da desilusão
despida de amor e emoção
Como o despertar de um vulcão
no ponto de fervura entro em ebulição
do meu tormento de lavas
expurgo a dor da ilusão
Num gemido silencioso
vou rompendo o véu do meu casulo
para o despertar da borboleta
que baila ao som da felicidade
em absoluta liberdade
(Gracita)
E para completar este voo poético
deixo o belo vídeo Butterfly
num balé de cor e amor