segunda-feira, 18 de abril de 2022

Desamparada de mim

 

Por um longo tempo andei perdida
desamparada de mim
caminhei por lugares escuros
em mim a ausência da certeza
aflorava em meu peito
o frio austero da impureza

Caminhei sem rumo, sem objetivo
persisti sem saber o motivo
Fiquei de frente pro abismo
Hesitei...
Não sabia se pulava
ou ali mesmo ficava

A dor que dilacerava
as minhas entranhas
era meu único
e palpável sinal vital

Serei eu um ser real?

A imagem que tenho de mim
Uma sobrevivente maltratada 
pela agonia que corroi minh'alma

A caótica imensidão
O aparente vazio
É o reflexo da minha orfandade
(Gracita)