sábado, 6 de janeiro de 2018

Lua ingrata

Os olhos cor do mar debulhavam em lágrimas
no céu a lua observava aquela explosão lacrimal
aflita eu tentava inutilmente abraçar a lua
e ela temerosa e tímida de mim se afastava

Gotículas miúdas e frias molhavam meu  rosto
sensação de abandono e solidão
Ó musa dos poetas e dos amantes
aconchegue-me em teu corpo miúdo

Entre suspiros e sussurros delirantes
proseava com a lua meu caso de amor
e ela indiferente sorria e zombava da minha dor

Cada vez mais apática e displicente
a ingrata lua debochava da minha dor
ela que sempre embalou meus sonhos de menina
faz troça da minha dor de amor

Sabes lua, a tua frieza me  desatina
vou seguir sozinha a minha sina
nossa cumplicidade evaporou-se

Negligenciaste minha triste melancolia
Adeus lua perversa!
Tua ingratidão só fez ferir meu coração 

(Gracita)