quarta-feira, 22 de abril de 2020

Enclausurada

Não corte minhas asas
Não tire o meu voo
não me deixe nesta clausura
senão eu vou morrer de dor

Nesta gaiola dourada
não posso e não quero viver
não sou pássaro para viver engaiolada
Deixe-me renascer! Preciso de liberdade

Livre-me destas amarras bordadas
Desate os nós da minha decepção
O meu canto confinado na garganta
Testemunha do meu desencanto
Meu violão silenciou-se!

Estou carente de afeto
Solte-me! 
E então ouvirá o meu canto
Não mais o triste lamento
das minhas lágrimas
banhadas de comiseração

Sou como ave plumante
Tente observar o meu voo
Não aprisione os meus sonhos
Não queira amputar minha vida

Não se espante com o meu tormento
Observe-me apenas por um só momento
Estou murchando... despetalando
Minha vida sendo decepada
E eu aqui nesta gaiola enclausurada

Desprenda-me deste cativeiro
Tire-me deste isolamento
Dê-me a liberdade
E volte a ouvir meu canto
(Gracita)