O brilho de outrora não existe
O espelho sempre amigo e companheiro
mostra os sulcos da pele que perdeu
o viço e o frescor da juventude
São estradas percorridas.
Bem sinalizadas!
Umas mais largas
outras mais fininhas
condutoras dos fios da vida
Boas condutoras nas curvas
souberam reagir com prudência
quando as artimanhas da vida
vieram espreitar o duelo do viver
Insolente e destemida
desafia a veracidade do espelho
com mãos hábeis faz massagens
em movimentos suaves, delicados
na vã esperança de recuperar
a cútis de deusa de outros tempos
O espelho não esconde a surpresa
Como tu és inocente minha deusa
São estas rugas que te faz bela e atraente
São elas o estandarte da beleza madura
O viço da mulher empoderada e livre
que sabe onde põe os pés pois tens no rosto
as marcas expressivas de uma grande mulher