Tango
No teu olhar de violino sentido,
marcas o tempo
em curtas vagas de silêncios
e largos passos de mágoas.
De corpo agitado,
domado por um piano afoito,
respiramos na matriz do bandoneon
ao ritmo do amor livre cativo,
amor carrasco e escravo
que nos mata a cada passo
numa dança de paixão arrebatada.
Visito o teu sorriso sofrido
que me abraça e repele,
enroscado na ternura em rodopio.
Viajas no teu gênio abrangente de viola,
de olhar abandonado no cais,
onde fundeio o instinto, matador,
num morrer por ti já despido.
Mergulhamos, neste bailado insano,
até ao fundo dos mares,
dançamos um tango assassino
até sufocar os sentidos,
até que estas chamas nos matem
em tempestades de vida.
Jaime Portela
E na primeira quinzena de agosto a poetisa Manuela
estará desfilando a sua arte poética em nosso tapete literário



