sábado, 2 de janeiro de 2021

Um dia... eu encontrei a tristeza

 

No divã da minha sala
sentada displicentemente
a tristeza bocejava a me esperar

Ouvi as suas queixas e lamentos
Em momento algum interrompi
os seus difusos e melancólicos pensamentos

Sem pensar fui anotando as palavras
alinhavei-as com musicalidade
fiz um bordado de palavras
dei-lhes cor e amor

Naquele discurso de tristezas
pintei uma aquarela de belas rimas
com pincéis fonéticos fui mesclando 
aquelas palavras e formei um composê de versos

Foi na tristeza daquelas palavras
que encontrei o perfume mais suave da flor
percebi a perfeição das formas
inspirei-me na sua dor e formatei
lindos versos de amor

Na tristeza daquele monótono diálogo
pude enxergar a imensidão do infinito
E naquele caos emocional pude perceber
como era insignificante a dor da solidão

Na agonia de suas nostálgicas palavras
descobri o mais precioso dos sentimentos
e senti o amor alastrar-se  dentro de mim

De repente um gemido... silêncio!!!
A tristeza não mais se encontrava em meu divã
do meu lado lia e relia meus rabiscos
de seus amendoados olhos lágrimas escorriam

Parei subitamente de escrever e interroguei-a:
-Por que choras tão desconsolada?
E a tristeza fez cara de riso e disse-me, emocionada:
_ você é uma fada da alegria! Minha tristeza virou nostalgia
(Gracita)